Todos os artigos de Filipo Tardim

SOBRE O PROCESSO DE SINDICÂNCIA NA ESCOLA MUNICIPAL ROBERTO WEGUELIN

Vivemos hoje na Rede Municipal um período no qual as direções eleitas das escolas vêm concluindo o seu primeiro mandato. Um passo importante conquistado através das nossas reivindicações de vários anos, rumo a um projeto de Gestão Democrática que o Sepe e a categoria sempre defendeu para as nossas escolas. Uma Escola onde quem decide os seus rumos são aqueles que vivenciam o cotidiano escolar, quem nela trabalha e quem nela estuda, ou seja, a comunidade escolar. Nesse sentido somos nós sim que temos o direito de escolher quem estará à frente desse projeto coletivo de escola. Numa escola democrática, são aqueles que vivem a escola diariamente que escolhem e também possuem o direito de avaliar e reavaliar a sua gestão continuamente. Reconhecemos também que a escola é plural. A Escola não é feita da soma de opiniões individuais, mas da síntese de todas elas, resultado de processos de debates e reflexões coletivas sobre o seu projeto e o seu caminhar.

Reafirmamos tudo isso para nos colocar sobre os acontecimentos referentes à sindicância realizada há pouco tempo pela SME na Escola Municipal Roberto Weguelin. Caso que não só o sindicato tomou ciência e acompanhou, desde o primeiro momento quando foi contactado, como também a rede municipal como um todo, envolta nesse cenário de muitas dificuldades em que vivemos para realizar o nosso trabalho nas escolas.

Uma sindicância foi instaurada sob o argumento de se haver uma série de denúncias e insatisfações, algumas anônimas e outras não, que chegaram à secretaria de educação. Apurações podem e devem ser feitas? Sim. A sindicância é um instrumento que existe na administração para isso, investigar, apurar. E é papel da SME auxiliar a escola na resolução de seus problemas internos, a dirimir esses problemas e a ajudar a escola a caminhar. Não é papel da SME, após um ano e meio de falta de assistência das gestões eleitas, relato esse feito por dezenas de gestores sobre como estava sendo difícil a condução das escolas diante de tantos problemas vivenciados, instaurar uma sindicância para a partir de relatos apontar culpados e exonerar direções.

A nossa posição é de repúdio sobre a forma e o desfecho que foram dados a um processo de sindicância que poderia existir para auxiliar as escolas, se a SME assim quisesse que fosse. No entanto, não podemos considerar normal, imparcial e ileso um processo que não permita o direito à ampla defesa e ao contraditório a qualquer servidor que venha a ser investigado no exercício das suas funções, seja ele diretor, professor ou funcionário. Um relatório que expressa a conclusão de três pessoas, os membros da sindicância, sobre fatos relatados em diferentes depoimentos aos quais somente elas tiveram acesso não pode ser considerado como um documento incontestável. O professor André foi ouvido em apenas um momento desse processo, o inicial, porém é fato: não foi apresentada pela sindicância, antes de se chegar a um veredicto final da mesma, e antes mesmo da secretária de educação se posicionar, a oportunidade a quem estava sendo investigado de poder responder a tudo que tenha surgido a partir dos depoimentos que vieram depois. O processo de sindicância instaurado pela SME nessa escola ultrapassou a sua função de apuradora de denúncias e assumiu também a função de julgadora e condenatória, a partir do momento em que o pleno direito de defesa e do contraditório a tudo o que tenha sido colocado não foi oportunizado a esse servidor. Apresentar o direito à defesa apenas após um processo administrativo instaurado não é dar oportunidade a ninguém de se defender. É punir primeiro, para só depois o servidor ter a oportunidade de ser ouvido plenamente.

À SME cabe sim apurar e investigar, mas antes de tudo cabe acompanhar as escolas, suas gestões, oferecer suportes e apresentar alternativas para superar os muitos problemas que essas gestões enfrentam, muitos deles fruto do abandono da Escola nas mãos do gestor, dos professores e dos funcionários, que tem que se virar diariamente para dar conta da realização do seu trabalho. Falta compromisso com as escolas, falta respeito com o servidor e falta principalmente empenho e ações concretas para a construção de uma escola verdadeiramente democrática que almejamos alcançar.

Direção colegiada do Sepe Caxias

11 de setembro de 2017.

Caderno de teses que serão discutidas no XV Congresso do SEPE

No ano que marca a passagem dos 100 anos da Revolução Russa, o Sepe comemora os seus 40 anos de luta e realiza o XV Congresso de Educação.

O tema do Congresso, por isso mesmo, é uma homenagem à Revolução Russa e também à luta das aposentadas e aposentados da Educação.

Em um momento histórico, em que os ataques dos mais diferentes governos (federal, estadual e municipais) aos direitos da classe trabalhadora se acirram cada vez mais, o Congresso do Sepe se apresenta como um fórum fundamental em nosso estado para a discussão das estratégias de luta e mobilização da categoria para fazer frente à renovada onda neoliberal que ameaça a Educação Pública de qualidade em nosso país.

Durante três dias, delegados eleitos nos municípios que têm representação do sindicato e Regionais da Capital vão debater temas de conjuntura, estrutura e estatuto do Sepe e deliberar sobre as principais questões que farão parte da luta da categoria durante os próximos dois anos.

Disponibilizamos aqui os cadernos de teses gerais e específicas que serão debatidos pelos delegados.

São 22 teses gerais e 24 teses específicas, que podem ser baixadas nos links a seguir:

Caderno de Teses Gerais XV Congresso do Sepe.

Caderno de Teses Específicas XV Congresso do Sepe. 

 

Fonte:

http://www.seperj.org.br/ver_noticia.php?cod_noticia=15951